quarta-feira, 22 de junho de 2016

VI

  Camila não quer se preocupar com o amor, não quer falar sobre isso. Quando lhe questionam:
- E o teu coração, grande garota?
Camila cala, deixa-os falando aos ventos.
Quando pressionada, sai batendo todas as portas que pode da sala até seu quarto.
- Por que se interessam tanto?
Acredita que as pessoas só se interessam por coisas vazias. “Elas nem sabem o que é o amor, não sabem e não saberão”, pensa.
Para ela, não é amor todo o mel percebido nos filmes de romances baratos até pra quem paga em um cinema.  Para ela, não é amor selar um contrato de fidelidade sob os olhos de um padre. Ela nem sequer tem um conceito definido, mas esse é o seu jogo, é assim que ela mantém sua mente aberta. Ela não tem conceito definido para nada, sabe que tudo é passível de mudanças grandes ou pequenas, de mudanças que fazem toda a diferença. Não assume uma postura, não declara suas vontades que mudam cada dia que ela acorda. Mudam quando ela acorda em sua cama, mudam quando ela acorda em outra cama, com alguém. Mudam quando ela se olha no espelho e percebe que no fundo ela só quer liberdade. Quer liberdade até dela mesma, quer liberdade de todos os pensamentos. Camila observa que ninguém sabe sobre o amor, nem mesmo quem escreve esse texto no fim da noite.
Helena Vicente

Um comentário:

  1. "- Por que se interessam tanto?
    Acredita que as pessoas só se interessam por coisas vazias. “Elas nem sabem o que é o amor"

    O que me faz "bater as portas" é observar como tantos chamam coisas vazias de amor, também é o que me afasta disso tudo.

    Ótimo texto!

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