O que é viver se não insistir?
Essa teimosia de tentar
De errar
Mas continuar, de novo e de novo
Pra ver o que há, se há alguma coisa
Há de haver
Bom
Eu sempre disse que era uma pessoa
Fácil de desistir
E, parando pra refletir,
Eu desisto de coisa pouca
Desisto do que é raso
Supérfluo
Do que não vale
Agora das coisas grandes
Essas coisas me mantém presa
Numa eterna tentativa
Erro, acerto, frustração, lamento
Tento
De novo
Porque acho difícil desapegar
Essa minha mania de carregar
Um fio de qualquer outra coisa que já foi
Um fio do que sobrou
Vou amarrando fio por fio
Que levo junto a me amarrar
E tudo isso vira nó
Não sei onde começa
Não sei onde termina
Tudo junto, num só
Os sonhos da infância
A acidez da adolescência
O desamparo da adultez
Eu, sozinha, com meus fios, e só
Descobrindo por mim mesma
Onde começo
Onde termino
Eu até saberia desfazer o nó
Mas no fundo eu tenho medo
Do que resta
A clareza cega
Inventar é bem melhor.
Essa teimosia de tentar
De errar
Mas continuar, de novo e de novo
Pra ver o que há, se há alguma coisa
Há de haver
Bom
Eu sempre disse que era uma pessoa
Fácil de desistir
E, parando pra refletir,
Eu desisto de coisa pouca
Desisto do que é raso
Supérfluo
Do que não vale
Agora das coisas grandes
Essas coisas me mantém presa
Numa eterna tentativa
Erro, acerto, frustração, lamento
Tento
De novo
Porque acho difícil desapegar
Essa minha mania de carregar
Um fio de qualquer outra coisa que já foi
Um fio do que sobrou
Vou amarrando fio por fio
Que levo junto a me amarrar
E tudo isso vira nó
Não sei onde começa
Não sei onde termina
Tudo junto, num só
Os sonhos da infância
A acidez da adolescência
O desamparo da adultez
Eu, sozinha, com meus fios, e só
Descobrindo por mim mesma
Onde começo
Onde termino
Eu até saberia desfazer o nó
Mas no fundo eu tenho medo
Do que resta
A clareza cega
Inventar é bem melhor.
Helena Vicente